A tarde na biblioteca foi sem maiores novidades, acabei por sair apenas para "beliscar" algo no refeitorio, voltei e fiquei até que fosse acordado por uma freira de forma tão 'sutil' que o coração quase pulou fora do peito...
-- Acorde!!! - disse ela batendo o livro sobre a mesa.
Durate a noite houve um houve um temporal horrivel com direito a ventania, trovões ensurdecedores e claro raios a riscar o céu. Olhavam as camas a volta e todos se encolhiam, uns até foram para debaixo da cama. Eu fascinado, deixei o receio de lado. Havia um buraco, quase uma janela, na parede do dormitorio, escalei as pedras salientes da parede e sentei na beirada da disconfortavel "janela"... Fiquei a admirar a força da natureza a minha frente, a cada trovão as pedras nas quais esta sentado tremiam, passaram-se alguns minutos e o vento soprava a brisa molhada sobre mim, e o frio me fez descer. Sentindo o gostinho de observar algo que todos ali temiam, foi algo muito pessoal, mesmo molhado e com frio fui dormir muito feliz.
Ao acordar, como de costume, não lembrava de um sonho sequer, o sono era um mergulho no vazio... mas a sensação gostosa da noite anterior ainda continuava, estava bem disposto. O dia foi muito agitado no orfanato, a chuva deixou seus estragos. Acabei passando o dia lendo na biblioteca, desta vez sobre a historia do imperio de Mitrah na terra e seus doze reinos... e nem sequer lembreio do "tal tutor".
Na manhã seguinte depois de passar pelo refeitorio, entrei pelo corredor e cheguei até o lado de fora, com um ar muito melhor que o ar mofado do interior do orfanato. Percebi que tudo parecia mais limpo depois da tempestade e também cheirava melhor, as arvores ja iniciando a queda das folhas... era um belo cenario, o sol iluminava intensamente tudo naquela manhã.
Andando ao redor do orfanto percebio um movimento perto de uns arbustos apertei os olhos tentando ver algo... a 'ruiva-de-olhos-bonitos'... procurei uma posição para não ser notado. Ela retirou do meio do mato um pequeno barquinho, olhou a volta e embarcou... pos-se a remar até uma pequena mata na mesma encosta que Zavebe tinha seu templo. Apesar da minha aversão a contato com as pessoas, não resistei de curiosidade e peguei um barquinho o mesmo que Éllis me levou ao outro lado... e como era dificil remar... sem me preoucupar com punição que aquilo acarretaria ou mesmo se sabia remar cheguei a mata. Fiquei tão distraido que nem notei que o tempo fechou e a chuva desabou depois de um vento muito frio. Encontrei o barquinho dela escondido sob umas folhagens, derepente um raio e um grito logo após...
Seria ela?! O que houve?!
Segui em direção ao local do grito, a mata parecia pequena quando vista de longe... eu tinha nada muito além de um metro e meio... e isto não ajudava nada em meio a arbustos maiores que eu.
Um paredão de pedras foi o que encontrei após andar um pouco mais, musgos e pedras escorregadias. Aos trancos e barrancos, o que chamei de chuva agora era um eufemismo diante do verdadeiro temporal que caíra.
Agora cada vez mais escuro estava a subir por entre as pedras, ao chão um saco preto... abri e havia ali livros antigos... ouvi novamente a voz:
'Me ajude!!!'
Era ela sem duvida...
-- Cotinue falando, esta muito escuro...
-- Estou aqui...
A encontrei dentro de um buraco entre duas rochas, estava escorregadio... sua perna perfurada por um galho....
-- O que houve?!
-- Escorreguei e cai, minha perna esta presa.... quando cai a perna foi espetada por um galho quebrado, dói muito.... me tira daqui por favor...
--Calma... aguenta firme...
Procurei um apoio para os pés nas rochas, rasguei um pedaço da camisa e amarrei bem firme acima da ferida. Olhei nos belos olhos a minha frente, brilhavam mesmo envolto em trevas...
-- Aguente firme, vai doer...
-- Ahhhhhhhhhhhhhhhh....
Com a perna solta, consegui com sua ajuda, erguela.
-- Pegue os livros, não posso perde-los... pegue por favor... eu ñ...
-- Tudo bem estão aqui.
O temporal só piorava. Olhei para baixo, seria quase impossivel descer com ela por ali...
-- Me ajude a subir um pouco mais, a frente ha uma caverna.
Apoianda em mim, ela foi me guiando. Seu ferimento sangrava muito e ficava cada vez mais palida...
Chegamos a caverna, então a coloquei no chão.
-- Vou buscar ajuda,sozinho não vou conseguir tirar você daqui...
-- Não me deixe aqui sozinha...
-- Pegue, fique com meu medalhão, era da minha mãe - retirei do pescoço o medalhão e a entreguei.
Ela me olhou carinhosamente, pegou o medalhão e o abraçou fortemente contra o peito e sorriu.
Antes de sair procuei a volta algo para cobri-la... encontrei cobertores e coloquei um sobre a ferida comprimindo o ferimento e outro sobre ela.
-- Você esta ferido...
Sequer me dei conta que tambem estava ferido, varios cortes nas pernas e braços que sangravam, pelo geito não desviei de todos espinhos e pedras do caminho...
-- Estou bem, são só arranhões....
E sai da caverna...
-- Vá pela floresta, não use os barcos... -disse ela enquanto eu saia...
Desci pela encosta rochosa, levei alguns tombos, e embrenhei-me pela floresta a direita do barquinho que ela escondeu.
Muitas arvores cairam bloqueandoa trilha, de pois de caminhar um pouco vi ao longe os três amigos dela e expliquei o ocorrido e prontamente nos dispusemso a voltar até a caverna.
Ao chegar na caverna vi um clarão ao lado da ruiva no chão, que tomou forma... olhei e era um jovem e brilhava muito, olhei para o lado e ninguem parecia perceber o mesmo que eu... ele olhou para mim e assentiu com a cabeça, ajoelhou-se , pos suas mãos sobre a ferida dela e em seguida sumiu.
Meio embasbacado com a visão me aproximei e retirei o cobertor que estava sobre sua perna, encharcada de sangue. Para nossa surpresa, apesar do cobertor estar encharcado de sangue o ferimento estava cicatrizado...
Ela acordou, meio tonta...
-- Quem estava aqui com você ???
Indaguei. Todos olhavam para mim, sem nada entender com minha pergunta descabida.
Como assim, não havia ninguem aqui com ela. -disse um deles.
-- 'D'... - disse ela meio atordoada.
-- ???????
Sai da caverna, enquanto cuidavam dela, sentei sobre uma rocha para tentar por meus pensamentos em ordem... o que a bela ruiva quis dizer com "D" ?!

Retornei esperando que Zavebe não tivesse visto o mesmo que eu, e assim pareceu, não comentou nada, sorriu levemente e apontou para a cadeira que havia arremessado a pouco, fui buscar-la proximo a um armadura coberta de poeira. Sentado diante de Zavebe esperei um comentario rude talvez, quem não veio... apenas um "Filho você esta confuso, não se envergonhe..." e se rosto surgiu em meio aos livros antigos que jaziam ali em sua mesa, e a luz das velas iluminou seu rosto tão destoante com o que sentia e fora avisado pela energia de minha mãe, estava de fato como dissera... Confuso. Olhou fixamente para mim como se buscasse um fio de pensamento sequer, então iniciei uma conversa busando evitar que se atencipasse aos meus pensamentos como ja demonstrou fazer.
-Zavebe poderia prosseguir sobre minha familia, algo que saiba e não contou?
- Sim meu jovem... contarei tudo que sei sobre sua ascendencia.
Diante da situação a qual me dispus entreguei-me ao conforto da velha cadeira muito maior que eu e atentei as suas palavras...
"Em todos os 12 reinos regidos pelo sacerdote maior, representante de Mitrah na terra, o inefavel Konstantinos Valerius, são realizados registros de nascimento junto a consagração da criança ai deus Mitrah. O reino de Mitrah é dividido neste grande continente em doze partes, cada uma regido por um principe sacerdote que por sua vez divide seu dominio em nove partes menores nomeando a estas areas nove sacerdotes, dentre os quais eu sou um dos nove. Assim como Mitrah tem seus doze principes celestiais em seu imperio nos altos céus, o seu representante tem na terra seus doze principes regidos cada qual regido pelos principes celestes, representados no céu fisico pelas constelações, cada principe de Mitrah possui nove virtudes assim os principes de Konstantinos possue nove sacerdotes para administrar o poder de Mitrah na terra bem como a vontade do seu filho Konstantinos, mas ha um porem, o extenso continente possui um reino isolado ao norte que em meio as eras recusou-se a adorar ao deus Mitrah, seus antepassados são destas terras longinquas. Durante a grande guerra que foi travada entre as familias locais, sua familia em risco iminente de morte dado as baixas, viajou rumo a este local,
Seu pai e mãe e você que nasceu durante a viagem. Veja este enorme livro - pegou de dentro de um baú um enorme livro -aqui estão os regisros dos ultimos 500 anos, realizo os resgistros desde que meu antecessor faleceu a oito anos, antes era seu auxiliar... e aqui estou eu uma boa parte da minah vida...
O caminho que sua familia percorreu é muito longo, até aqui seriam aproximadamente 3 anos, por isto você deve ter por volta de 11 anos.
Mas não ha registros seus ou familiares seus aqui, ja uqe não professavam a mesma fé, mas Mitrah tem seu modo de agir, pois teus pais auxiliaram na reconstrução, financiaram este orfanato e o Inefavel Konstantinos assim permitiu pois entendeu que Mitrah abençoa usando os masi diversos meios.
Infelizmente até onde tenho noticia você agora é o ultimo da sua familia. Após a guerra no norte, Konstantinos tentou enviar seu exercito de paz a terra do norte e consagrar a terra a Mitrah, mas foram todos mortos até hoje não se sabe ao certo o que houve. Muitos viajantes contam historias sobre a terra do norte após a guerra, um grande cemitério putrefo a céu aberto... o sol não brilha, nem mesmo consegue penetrar a densa névoa que encobre. Assim o Santo Konstantino decretou ser a vontade de Mitrah que ninguem ousase adentrar as terras do norte, se o fizesse seria amaldiçoado e irrevogavelmente condenado ao lago de fogo.
-Mas o que originou esta guerra entre as familias???
Pouco se sabe, mesmo antes da guerra era um pais fechado ao resto do continente... existem relatos que uma força oculta pactuou com os habitantes locais e culminou em uma grande maldição... seja como for existe uma maldição sobre aquele país, isto é evidente, quando se esta sobre os picos do reino do principe Leão podemos avistar ao longe as densas e negras nuvens na direção do norte.
Por mais que ao longo da historia de Zavebe ele tenha sempre salientado o Amor e benevolencia de Mitrah e os seus, isto não descia por minha guela...não engolia a historia nem sentia este tal amor emanar dele, parecia faltar detalhes da historia... uma sensação agoniante... porque sentia isso?!
O gigante ancião levantou-se e veio ao meu lado, colocou sua mão sobre meu ombro e disse:
Filho você tem a chance de tirar ao menos da sua familia a maldição, você pode permitir, ao se redimir diante de Mitrah, que as almas de seus antepassados que purgam no Abismo de fogo descansarem em paz, isto iremos lhe ensinar bastar abrir teu coração.
E continuou, agora fixando o olhar para trás de mim...
Sua memoria pratica, que compreende tudo quanto você aprendeu durante sua vida, estará cada vez mais acessivel a tua consciencia conforme entre em contato com o mundo a sua volta, lendo um livro... vendo uma imagem... sentindo um cheiro...
Estamos no Outono em breve será inverno, por isto suas aulas só iniciaram juunto aos outros jovens na primavera. Até la tera pequenas atividades junto aos outros de sua idade, e a biblioteca do orfanato estara a sua disposição para te auxiliar a recuperar a memoria pratica ao menos. Atitudes tempetuosas como demosntrou a pouco são normais por causa da desregulagem entre memoria emocional e pratica, causando confusão até mesmo alucinações.
Quando ouvi isto sobre alucinações, fiquei a pensar sobr eo que ocorrera com o medalhão e a aparição da energia minha mãe... perdi o chão sob meus pés... estava realmente confuso agora.
Subtamene Zavebe levou sua mão, agora gélida, a minha nuca inclinando minha cabeça, procurando algo em meio ao meu cabelo na base da cabeça... foi tão inesperado que de tão surpreso demorei alguns segundos a reagir, dei um salto e de olhos arregalados saquei logo uma espada que estava pendurada junto a uma velha armadura.
Você esta louco Zavebe?!
Olhou para mim como se fosse a situação mais natural do mundo, e sua face pareceu ser amistosa novamente...
Calma filho, fico feliz que não tenha a marca da maldição em sua nuca.
-Marca?! Que marca???
- Não se preoucupe ja pode ir, Elis lhe espera la fora, sua almapode ser salva.
Larguei a espada no chão em nem mesmo pensei em questionar novamente Zavebe, ele certamente mandaria embora mais uma vez, ficou claro que não diria mais nada.
Ao ir em direçaõ a porta escutei Zavebe dizer:
"Rogarei a Mitrah por tua alma..."
Quase mandei que ele incluisse um recado a Mitrah, muito mau educado por sinal, junto a sua petição... mas me contive.
Sai aos borbotões, passei pela porta de bronze e a fechei. Enquanto caminhava para fora dali pelo corredor as velas se apagaram a unica luz vinha da fresta da porta de Zavebe, e me senti impelido a retornar a porta... e assim fiz. Escutei a voz de Zavebe:
Mestre ele não possui a marca, teremos de esperar... sim, sua vontade será feita"
Pus-me a correr pelo corredor escuro, quase cai no lago, a nevoa não se dissipou pelo passar do dia ja deveria ter ido embora e dado lugar a luz do sol, mas não foi assim.
-O que houve Adam?
-Nada Élis só me assutei com o escuro...
-Por mais que me doesse ao ego afirmar medo de algo foi a desculpa melhor que me veio a mente...
-Ah sim... como foi a conversa?
-Boa, eu fiquei meio confuso por causa da minah cabeça... mas estou melhor.
-Bom, entre no barco, ja é hora do almoço.
Assenti com a cabeça e embarquei no pequeno barco. Conforme ele deslizava sobe a faca do lago, cortando caminho em meio a nevoa minha mente relembrava tudo quanto acontecera ali hoje. E um sentimento ganhou corpo, assumindo forma de idéia... eu deveria regressar um dia a minha terra ancestral... que loucura é esta, é uma terra amaldiçoada?! Meus pensamentos foram cortados pelo bater do casco do barco nas pedras, haviamos atravessado o lago...
-Adam amanhã apresentarei a você seu 'tutor', um orfão assim como você que ja esta aqui a amsi tempo e este lhe instruira nas regras e deveres no orfanato e no templo de Mitrah, até que venha a primavera e também inicie os estudos seculares e religiosos.
Meio insatisfeito com a historia de 'tutor' fui para a bibioteca do orfanto, nem fui almoçar, e cai de cara nos livros para ver se a voz chata que dizia a absurda idéia de "ir na terra do norte" sumia.
O jovem Adam não conheceria seu 'tutor' no dia seguinte nem tão pouco de maneira convencional, inegavelmente seria marcante não só para ele... a vida tem seus caminhos, mesmo um caminho paralelo pode se encontrar...
O velho Khamus elevou seus olhos para a janela e percebeu que mesmo tendo ja falado por algumas horas nada havia mudado, tinha razão o tempo não corria como de costume. Estendeu sua mão ao jovm e pediu que o ajudasse a levantar-se e leva-lo ao 'jardim'.
O jardim que outrora exalava vida agora exala o putrefo odor da morte e decadencia.
E assim o misterioso jovem munido do calhamaço amaparou o ancião até a fonte, que igualmente ao local jorrava lama negra muito diferente do que ja foi um dia.
Sentou o jovem ao chão e Khamus a beira da fonte. Khamus inclinou com dificuldade a cabeça e falou algo a terra, o jovem apenas observou friamente a tudo.
Ergue-se estendeu os braços e meio cambaleante o ancião iniciava um antigo rito, que o mantera vivo até aquele momento.
Virou-se para o oeste e conclamou a um lago que circundava a sua casa
- Senhores da agua, Ondinas e seres viventes permitam beber de vossa energia, hei de retorna-las a vós em breve - e fez o sinal do pentagrama da agua e o empurruou no ar na direção do lago, uma leve brisa soprou na direção de Khamus, junto dela os peixes bem como outros animais vieram a boiar... entregaram sua energia ao ancião, abriu novamente os braços e uma pequena bola de luz adentrou em seu peito quase o derrubando.
Assim fez aos Norte com os Duendes, ao leste com os silfos e aos sul com as salamandras. Em cada direção algo ruia, um passaro morria... até mesmo das estatuas que circundavam a propriedade liberaram pequenas centelhas de de vida, ao fim Khamus caiu de joelhos e se pos a lamentar, o jovem então levantou-se.
"Não lamente, você precisa em certamente um dai retornara toda esta energia a seus devidos donos assim é o ciclo da vida...
Quando Khamus ergueu seu rosto do solo aparentava decadas a menos e o jovem epsantou-se mas nada comentou a não ser...
-Vejo que a historia podera ser contada com mais vigor daqui em diante...
-Não se engane, talvez não dure tanto, mas o suficiente para terminar... e poder finalmente...
-Por hora "Jovem" Khamus falemos de vida.
"Adam, você deve ficar, mesmo que não seja agradavel... é importante!"
A voz se dissipou na minha mente, como um eco em uma caverna...
Estava disposto a sair daquela situação tão dolorosa para mim, e agora essa, estava confuso em quem confiar... na voz ou em Zavebe?!
Virei as costas e comecei a caminhar, não iria dar ouvidos a uma voz em minha cabeça... estava decidido a ir para fora daquele lugar, ja distante de Zavebe coloquei a mão sobre o batente da porta porta de bronze para abri-la, foi então que senti uma energia calorosa, como um raio de sol, que tornou-se uma luz... levei as mãos aos olhos para cobri-los de tão intensa, vinha por entre as fileiras a minha direita, e conforme se proximava de mim o brilho diminuia e pude ver, o medalhão de minha mãe suspenso no ar, um tenue brilho emanava. A voz ressoara novamente, agora podia ver de onde vinha... do medalhão.
"Filho, meu querido filho, gostaria de poder explicar muitas coisas... este medalhão foi o receptaculo da minha vontade antes de morrer, você deve ser forte e descobrir a verdade objetiva atrás da subjetividade dos fatos, Zavebe não é de confiança... mas deve ficar para que saiba de outras coisas, agora minha energia depositada se dissipara... mas não nosso amor por você. Não se esqueça do que costumava te dizer:
"Mãos quente coração frio..."
Então o medalhão caiu em direção ao chão, e recordei a resposta que sempre tinha para esta frase:
"O coração fica frio pois o enganador precisa simular vida ao entrar em contato com a 'vitima', o sangue vai para as extremidade e revela o frio e vazio interior..."
Cessou o brilho nem emanou aquela energia tão aconchegante que só uma mãe pode emanar. Recolhi o medalhão, e guardei em meu bolso, abraçando-o como se fosse minha mãe.
Passei as mãos sobre o rosto molhado, respirei fundo, e voltei para continuar minha conversa com Zavebe, não tive duvidas... era minha mãe, sua ultima vontade ali programada para cuidar de mim em um momento difícil.
Será que ele teria visto o ocorrido?! afinal parecia pescar meus pensamentos....
vou agir como se nada tivesse acontecido!!!

Sua mão era quente, muito maior que a minha, algo que foi acolhedor... senti confiança no gigante ancião a minha frente, apesar do conjunto destoar... aqueles olhos profundos... o rosto pálido...
Me convidou a entrar na sala, e assim o fiz, aquele lugar por de trás da porta de bronze parecia um deposito de antiguidades... livros... estatuas... armaduras... Alguns metros a frente por entre as estantes de livros empoeirados, estava sua mesa. Estranhei o local ser iluminado, onde estão as velas?!, foi quando notei um vitral em forma de sol, a luz solar entrava por ele e era refletia em espelho por toda a sala.
O "Gigante Ancião" a caminha a minha frente, eu a olhar por entre as bugingangas e estantes procurando alguem, procurando a pessoa com quem ele parecia falar a pouco...
"Adam o que esta procurando?"
Sentou-se em sua cadeira por de trás da mesa, sua mão surgiu novamente, do meio das longas mangas de sua tunica, estendendo-a... e disse:
É muito bom ver que esta bem, meu nome é Zavebe. Sou o Sacerdote Superior responsavel pela adoração ao nosso Sagrado deus Mithra, e como pode observar as freiras organizam a area do orfanto com nossa ajuda.
Aceita um chá meu jovem?
Não obrigado estou satisfeito, mas obrigado.
Levantou-se e ascendeu um pequeno pequeno braseiro, eu o seguia com meus olhos... e ainda pensativo sobre com quem ele estaria conversando... foi então que ele pareceu pinçar um pensamente de dentro da minha cabeça.
Adam, meu jovem com a idade começamos a conversar sozinhos... este local apesar da benção de Mitrah é muito solitario, veja quantos livros. Cada um deles é uma parte da essencia de alguem, portanto, é como se cada um deles me conectasse ao passado, muitos que ai estão foram escritos por amigos ilustres que ja não estão em nosso mundo. E não se esqueça que Mitrah esta sempre ha ouvir seus filhos.
Dei-me por satisfeito, haja visto o espanto... como será que ele soube que... deixa pra la...
Ele prosseguil, enquanto espera o chá ficar no ponto, andou até uma fileira de livros:
Veja este é sobre a linhagem da minha familia, todos meus ascendetes... bem aqui em baixo sou eu.
Foi lamentavel Adam o que ocorreu com sua familia, a familia Argos não mereciam isto.
Você lembra de algo, o que teria ocasionado o incendio?
Ele precisou repetir a pergunta umas três vezes, o sobrenome da minha familia caiu pesadamente sobre mim e comecei a devagar...
Argos... sim este era o sobrenome da nossa linhagem, como sempre mamãe dizia, ela sempre falava sobre a historia da familia... e... como era mesmo... não consigo lembrar... minha cabeça dói...
Acalme-se Adam, você tem um bloqueio devido a pancada e ao trauma emocional... beba um pouco de chá!!!
Ao pegar instintivamente o chá, tomei sem exitar... como um vento frio, assim foi o efeito do chá e senti paz... a dor na cabeça se foi.
Teria ele advinhado o que iria ocorrer comigo????!!!
Este é um chá especial, Mitrah cuida dos seus filhos... na natureza estão as benções de nosso criador. Eu estava certo, citei seu nome de familia pois precisava ver sua reação diante de uma lembrança. Foi como esperado.
Adam me diga o nome do seu pai?
Me esforecei, e nada do nome vir... só uma sensação angustiante.
Não me lembro...
O Nome de sua mãe, qual era?
O primeira coisa a vir em minha mente foi a cena em que minha mãe, como era bonita... estava sentada no jardim de nossa casa... Syne... Syne!!!
Syne!!! este era o nome de minha mãe!!!
Como suspeitavamos, Adam... vc lembra de algo que tenha contecido em sua casa durante o incendio?
Pensamentos e sentimentos dançavam na minha cabeça... foi ai que ouvi uma doce voz... "Adam não confie em Zavebe... ele esta aliado..."
Balancei a cabeça, e atordoado respondi:
Não... e quase nada do meu passado e familia consigo lembrar.
Onde estava com minha cabeça pra ouvir uma voz... deveria contar que meu pai... não...
Tudo bem... veja, tudo indica que seu pai tenha matado sua mãe, sinto muito filho. A maneira que os corpos foram encontrados...
Como assim?! quem os encontrou??? para onde levaram???? responda!!!
Antes me responda...
E pegou um objeto na mesa e inclinou-o a mim...
-Qual o nome disto Adam?
-Um Incensario.
Percebe, como sabe o nome de certas coisas... se olhar a sua volta notara que sabe o nome de boa parte, sua memoria esta boa mas ha um bloqueio... seus pais o educaram em casa, por haver uma ligação do que você sabe com a figura deles nem tudo será facil de lembrar. Mas esta ai em sua mente. O fato de não se lembrar o nome de seu pai reforça a idéia que ele a matou por isto o bloqueio. Seu pai se chamava Fenriz, Fenriz Argos.
Seu pai enlouqueceu, este é o castigo quando ofendemos a santidade de Mitrah... Mitrah é o unico deus digno de adoração. Seus pais apesar de boas pessoas envolveram-se com o OCULTO, seu pai provavelmente enlouqueceu.
Fenriz... meu pai... por que você... as lagrimas cairam e molharam meu despedaçado coração, pois as lembranças que eu tinha se encaixavam com o que ele dizia...
Os corpos de seus pais foram levados para a terra do norte, pelos cavaleiros membros da tal "ordem" ao qual pertenciam... foram enterrados com seus antepassados... Subtamente levantei-me e vociferei:Não fale assim deles!!!!! eles tinham Honra!!!! ja o seu Mitrah...E joguei a cadeira em que estava sentado do outro lado da sala... foi ai que percebi minha reação aparentemente descabida, e o olhar frio e nada surpreso de Zavebe, o 'Gigante' parecia feliz... ou seria ironico... e disse-me:
Mitrah perdoa teu filho, ele não sabe o que diz, Adam me perdoe creio que fui muito incisivo em minhas observações. Podemos continuar?Minha respiração começava a acalmar...Não, outra hora continuamos... não estou bem!!!O que esta havendo comigo...Então escuto a voz novamente em minha cabeça...
...

Adam encerrou seu tesouro, sobre ele colocando uma pedra. Um sentimento fúnebre, como se houvesse ali enterrado pai e mãe. Realmente não foi tão diferente. Contudo, as palavras que acabara de ler não poderiam ser tão facilmente encerradas, ecoariam em seu ser até que fosse a hora de compreendê-las.
Repousou sua cabeça,a alma desceu para dentro de si e foi ao reino das sombras,o vazio. Adam já não tinha mais sonhos ou pesadelos... Seu sono era um mergulho no frio do abismo.Na manhã seguinte acordei aos pulos, o sino de tão potente parecia ressoar dentro de minha cabeça. Este era o sinal que todos deveriam se levantar...Arrumei minha cama, ajeitei meu curativo na cabeça para que o cabelo ficasse mais livre... Dentro de alguns dias já não precisaria mais usar curativos, já estavam quase todos cicatrizados.Todos dirigiam-se ao refeitório, mas o dia parecia não ter acordado... Um nevoeiro cobria todo o vale e adentrava até mesmo dentro do Orfanato.Ao chegar no refeitório olhava para as Freiras que distribuíam o café da manhã, e para alguma área que não houvesse ninguém sentado. Olhava ao redor e já não haviam tantas pessoas a me olhar como da primeira vez, ainda sim sentia-me deslocado.Apanhei meu pão, copo de leite e uma maçã... Esgueirei-me até uma mesa no canto da ala do refeitório... Era escuro, acreditei que ninguém me observaria ali.Meu cabelo cobria toda minha face, em meio as sombras o cabelo completava meu mimetismo, estava curvado sobre a pequena mesa devorando minha maçã. Distraído com pensamentos nem notei a aproximação; Quando percebi já estavam em minha frente. Quase caí da cadeira... Quatro pessoas à minha frente. Soltei a maçã no susto, acredito que o coração deve ter parado por alguns segundos. Levei as mãos para afastar o cabelo do rosto e quando o fiz estava olho-a-olho da jovem ruiva. Ela aproximou mais seu rosto do meu e disse :
- Ei garoto você esta bem? Por que esta tão pálido???Acho que todo o sangue do meu corpo se recolheu e em meio a palavras entre cortadas eu estranhamente não conseguia desviar meu olhar daqueles olhos... que cor seriam... não me lembro de nada tão belo...
S-S-Sim... estou... o que você... vocês...
- Qual seu nome garoto ?Por de trás deles percebi Éllis chegar, apontou para mim e fez um gesto para que eu a acompanhasse. Eu não hesitei. Saltei da situação literalmente. Estava tão constrangido que fui rude, e sai aos trancos... foi tudo muito inesperado. Olhei para trás e disse meu nome a bela ruiva que pareceu sorrir diante da situação.- O que houve Éllis ?
- O Sacerdote superior quer vê-lo. Lhe explicar certas coisas.- Isto é bom?
- Creio que sim Adam.Em meio a névoa densa e fria meus pensamentos trouxeram uma lembrança do "quarteto", eu os havia visto no dia em que peguei a bicicleta e fui a minha casa... Sim, eram eles que me olhavam... Dois garotos e duas garotas, talvez a mesma idade que eu.Chegando a parte de trás do Orfanato, onde eu havia visto os barquinhos ancorados, Éllis me levou até a outra margem e explicou que não poderia acompanhar-me no local pois ali era destinado aos Homens que decidiram dedicar suas vidas em busca da espiritualidade e servir ao Deus Mitrah". Ela esperaria ali até que eu voltasse.Como me instrui eu adentrei. Um castelo esculpido nas rochas... Algo que sem dúvida deveria ser muito antigo. Lá dentro pude perceber que era muito maior do que poderia supor olhando de fora. Uma construção antiga que se estendia montanha adentro. Várias salas ao longo do caminho, - Éllis orientou-me a seguir as as pedras amarelas até uma porta de bronze - contei doze portas, elas se destacavam do restante por possuírem cada uma um símbolo no centro. Enormes velas ao longo do caminho iluminavam o corredor sombrio, afinal o Sol não daria as caras até que fosse bem mais tarde, e não creio que isto faria diferença, era distante do brilho do sol.Estava diante da porta de bronze. Havia símbolos variados em relevo na porta, os doze que havia visto circundando algo semelhante a um Sol de oito raios... Quando ouvi algo vindo de trás da porta:"Sim Mestre... Tua vontade será cumprida... "Quando agucei as orelhas, a porta se abriu abruptamente. Diante de mim um senhor alto e magro, cabelos compridos e grisalhos... olhos fundos... a pouca luz fez parecer que nem possuía olhos, quase sai correndo. Estendeu-me sua mão cadavérica."É um prazer vê-lo meu jovem..."