Eu desabei diante de tais lembranças.
Corri ao local onde era a biblioteca, procurando algo... Notei um brilho no chão entre as frestas do assoalho, quando abaixei para pegar, o assoalho da casa desabou. Eu cai dentro do porão; Ao meu lado o mesmo brilho que havia visto.
Puxei a correntinha prateada. Junto a ela um medalhão dourado com um triangulo em relevo, cravado no centro do medalhão o punhal que meu pai segurava contra o peito de minha mãe.
Fiquei segurando os objetos nas mãos. Tentei abrir o medalhão, mas o buraco feito pela lamina parecia ter derretido as bordas do local que perfurou, selando o medalhão.
A lamina prateada, incrustado de manchas de sangue parcialmente carbonizadas.
O cabo dourado... Duas serpentes que se entrelaçavam da base até o começo da lamina..
Muitas perguntas começaram a brotar em minha mente, e o sentimento de ódio intenso sobre o que meu pai fizera.
Peguei um pedaço de pano chamuscado que estava no chão, e coloquei ali o medalhão e o punhal.
Escalei as paredes consumidas do porão, quando terminei de subir avistei ao longe dois homens a cavalo que olhavam para mim. Suas roupas eram estranhas... Senti como se olhassem dentro de mim, estremice por dentro.
Notei duas espadas enormes junto a sela dos cavalos. Cavalos estes, que eram negros como a noite. Desviei o olhar para um barulho, ali estavam duas mulheres do Orfanato numa carroça; Ao voltar meu olhar para onde estavam os homens... Nada, sumiram.
--- Adam! Venha menino, depressa... Saia dessa chuva, não ha mais o que fazer aqui.
O Som do nome proferido por quela mulher cortou meus pensamentos. Meu nome!!!
Entrei na carroça atordoado. Meu nome... Os homens estranhos... Como meu pai conseguiu me arremessar do outro lado da casa sem tocar em mim...
Minha cabeça girava, eu buscava me encontrar dentro do turbilhão de coisas.
--- Vocês viram os dois homens logo ali?
--- Não Adam. Não havia ninguém ali...
Talvez o intenso temporal não tenha permitido a elas notarem. Eu também não tinha certeza do que vi... Certeza era o que menos tinha neste momento da vida.
--- Como sabe meu nome? Onde estão os corpos de meus pais?...
--- Você esteve no Orfanato com seus pais uma vez, por isto sei seu nome. Seus pais foram levados para serem enterrados onde nasceram.
--- Levados por quem?
--- Não sabemos. Seus pais eram muito reservados e apesar de morarem não muito longe do Orfanato, pouco sabíamos sobre vocês... Seus pais ajudavam financeiramente o Orfanato.
--- Quem me tirou da casa?
--- Ficamos sabendo do incêndio por um viajante que foi até o Orfanto pedir alimento. A Madre Superiora e eu fomos ao local, quando chegamos, você estava encostado em uma árvore no caminho de acesso a mansão... Você estava desacordado.
Fiquei a pensar o que teria me tirado lá de dentro... Talvez eu mesmo no impeto de viver tenha me arrastado... Não sei. Mais uma coisa pra pensar.
--- Qual seu nome Freira?
--- Élis...
--- Élis. Obrigado.
Adam se calou todo o caminho de volta ao Orfanato...
Chegando ao Orfanato fui levado ao dormitório e apresentado a minha cama. Retirei do casaco meus achados e fiquei a pensar onde os guardaria. Notei uma pedra meio solta atrás da minha cama, na parede, forcei um pouco e ela se soltou... Coloquei ali o medalhão e o punhal embrulhados no mesmo pano chamuscado. Antes de fechar notei algo escrito no pano e resolvi olhar...
"Somos a personificação do passado no presente, a possibilidade de um futuro. O que não lhe arrancar do peito o fôlego de vida o tornará mais forte."
...
