
A tarde na biblioteca foi sem maiores novidades, acabei por sair apenas para "beliscar" algo no refeitorio, voltei e fiquei até que fosse acordado por uma freira de forma tão 'sutil' que o coração quase pulou fora do peito...
-- Acorde!!! - disse ela batendo o livro sobre a mesa.
Durate a noite houve um houve um temporal horrivel com direito a ventania, trovões ensurdecedores e claro raios a riscar o céu. Olhavam as camas a volta e todos se encolhiam, uns até foram para debaixo da cama. Eu fascinado, deixei o receio de lado. Havia um buraco, quase uma janela, na parede do dormitorio, escalei as pedras salientes da parede e sentei na beirada da disconfortavel "janela"... Fiquei a admirar a força da natureza a minha frente, a cada trovão as pedras nas quais esta sentado tremiam, passaram-se alguns minutos e o vento soprava a brisa molhada sobre mim, e o frio me fez descer. Sentindo o gostinho de observar algo que todos ali temiam, foi algo muito pessoal, mesmo molhado e com frio fui dormir muito feliz.
Ao acordar, como de costume, não lembrava de um sonho sequer, o sono era um mergulho no vazio... mas a sensação gostosa da noite anterior ainda continuava, estava bem disposto. O dia foi muito agitado no orfanato, a chuva deixou seus estragos. Acabei passando o dia lendo na biblioteca, desta vez sobre a historia do imperio de Mitrah na terra e seus doze reinos... e nem sequer lembreio do "tal tutor".
Na manhã seguinte depois de passar pelo refeitorio, entrei pelo corredor e cheguei até o lado de fora, com um ar muito melhor que o ar mofado do interior do orfanato. Percebi que tudo parecia mais limpo depois da tempestade e também cheirava melhor, as arvores ja iniciando a queda das folhas... era um belo cenario, o sol iluminava intensamente tudo naquela manhã.
Andando ao redor do orfanto percebio um movimento perto de uns arbustos apertei os olhos tentando ver algo... a 'ruiva-de-olhos-bonitos'... procurei uma posição para não ser notado. Ela retirou do meio do mato um pequeno barquinho, olhou a volta e embarcou... pos-se a remar até uma pequena mata na mesma encosta que Zavebe tinha seu templo. Apesar da minha aversão a contato com as pessoas, não resistei de curiosidade e peguei um barquinho o mesmo que Éllis me levou ao outro lado... e como era dificil remar... sem me preoucupar com punição que aquilo acarretaria ou mesmo se sabia remar cheguei a mata. Fiquei tão distraido que nem notei que o tempo fechou e a chuva desabou depois de um vento muito frio. Encontrei o barquinho dela escondido sob umas folhagens, derepente um raio e um grito logo após...
Seria ela?! O que houve?!
Segui em direção ao local do grito, a mata parecia pequena quando vista de longe... eu tinha nada muito além de um metro e meio... e isto não ajudava nada em meio a arbustos maiores que eu.
Um paredão de pedras foi o que encontrei após andar um pouco mais, musgos e pedras escorregadias. Aos trancos e barrancos, o que chamei de chuva agora era um eufemismo diante do verdadeiro temporal que caíra.
Agora cada vez mais escuro estava a subir por entre as pedras, ao chão um saco preto... abri e havia ali livros antigos... ouvi novamente a voz:
'Me ajude!!!'
Era ela sem duvida...
-- Cotinue falando, esta muito escuro...
-- Estou aqui...
A encontrei dentro de um buraco entre duas rochas, estava escorregadio... sua perna perfurada por um galho....
-- O que houve?!
-- Escorreguei e cai, minha perna esta presa.... quando cai a perna foi espetada por um galho quebrado, dói muito.... me tira daqui por favor...
--Calma... aguenta firme...
Procurei um apoio para os pés nas rochas, rasguei um pedaço da camisa e amarrei bem firme acima da ferida. Olhei nos belos olhos a minha frente, brilhavam mesmo envolto em trevas...
-- Aguente firme, vai doer...
-- Ahhhhhhhhhhhhhhhh....
Com a perna solta, consegui com sua ajuda, erguela.
-- Pegue os livros, não posso perde-los... pegue por favor... eu ñ...
-- Tudo bem estão aqui.
O temporal só piorava. Olhei para baixo, seria quase impossivel descer com ela por ali...
-- Me ajude a subir um pouco mais, a frente ha uma caverna.
Apoianda em mim, ela foi me guiando. Seu ferimento sangrava muito e ficava cada vez mais palida...
Chegamos a caverna, então a coloquei no chão.
-- Vou buscar ajuda,sozinho não vou conseguir tirar você daqui...
-- Não me deixe aqui sozinha...
-- Pegue, fique com meu medalhão, era da minha mãe - retirei do pescoço o medalhão e a entreguei.
Ela me olhou carinhosamente, pegou o medalhão e o abraçou fortemente contra o peito e sorriu.
Antes de sair procuei a volta algo para cobri-la... encontrei cobertores e coloquei um sobre a ferida comprimindo o ferimento e outro sobre ela.
-- Você esta ferido...
Sequer me dei conta que tambem estava ferido, varios cortes nas pernas e braços que sangravam, pelo geito não desviei de todos espinhos e pedras do caminho...
-- Estou bem, são só arranhões....
E sai da caverna...
-- Vá pela floresta, não use os barcos... -disse ela enquanto eu saia...
Desci pela encosta rochosa, levei alguns tombos, e embrenhei-me pela floresta a direita do barquinho que ela escondeu.
Muitas arvores cairam bloqueandoa trilha, de pois de caminhar um pouco vi ao longe os três amigos dela e expliquei o ocorrido e prontamente nos dispusemso a voltar até a caverna.
Ao chegar na caverna vi um clarão ao lado da ruiva no chão, que tomou forma... olhei e era um jovem e brilhava muito, olhei para o lado e ninguem parecia perceber o mesmo que eu... ele olhou para mim e assentiu com a cabeça, ajoelhou-se , pos suas mãos sobre a ferida dela e em seguida sumiu.
Meio embasbacado com a visão me aproximei e retirei o cobertor que estava sobre sua perna, encharcada de sangue. Para nossa surpresa, apesar do cobertor estar encharcado de sangue o ferimento estava cicatrizado...
Ela acordou, meio tonta...
-- Quem estava aqui com você ???
Indaguei. Todos olhavam para mim, sem nada entender com minha pergunta descabida.
Como assim, não havia ninguem aqui com ela. -disse um deles.
-- 'D'... - disse ela meio atordoada.
-- ???????
Sai da caverna, enquanto cuidavam dela, sentei sobre uma rocha para tentar por meus pensamentos em ordem... o que a bela ruiva quis dizer com "D" ?!
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