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Acordei em meio a muita fumaça. Senti o sangue que escorria sobre meu rosto e as queimaduras em minha perna. Apaguei de dor. Acordei em uma sala branca, minhas feridas tratadas e com roupas limpas. Era uma enfermeira. Eu acordara em um Orfanato.
Estava atordoado, tentando lembrar de algo... Achar um fio sequer de lembrança, e nada, só algumas imagens confusas... 'Lembranças' desconexas.
As dores me venceram e voltei a dormir.
Sonhos terriveis!!! Vozes, muitas vozes... Gritos de uma mulher... Sangue pela casa... O rosto raivoso de um homem... Seria ele meu pai?! O que é isto em suas mãos?!...
Não!!! Mãe!!! Ela não!!!
Acordei aos gritos e rodeado de crianças à volta de minha cama, que logo foram dispersados pela enfermeira...
-- Do que você se lembra menino?
-- De pouca coisa... O que houve?
-- Houve um incêndio onde você morava... Infelizmente só você sobreviveu... Seus... Seus pais estão mortos.
Ter contato com aquela realidade foi como ser atingidno por um soco no estômago, e vomitei de dor... Não dor física. Minha alma se partiu e não conseguia sequer lembrar quem eram meus pais.
Pouco me pode informar sobre o que acontecera comigo, ou mesmo quem eu era.
Passei o dia a remoer estranhos sentimentos... Ódio... Culpa... Que eu não sabia de onde vinha, estava atordoado... Não lembrava de nada sobre minha vida.
A noite chegou e eu me recordei onde morava, não era longe... Mas ir a pé demoraria horas... Tentei me levantar e cai no chão, tinha perdido muito sangue com os ferimentos. Vou esperar ao menos a madrugada chegar.
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As palavras fluiam com tanta intensidade, carregadas de sentimentos. Khamus não apenas contou uma história, tornou palavras palpáveis, como se o véu do tempo se permitisse descortinar, a visão dos fatos do passado ali, na sua frente. Tão ávido quanto antes de tudo aquilo acontecer, o poder de persuasão não o havia abandonado.
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