quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Petra



O corpo inebriado pela dor buscava repouso para desfalecer, sua mente relutava. Um turbilhão de imagens giravam em sua mente.
Adam se Encolhia sobre uma pedra, pedra esta que visivelmente havia despencado do enorme rochedo na qual se encontra a caverna, cravada na terra se punha a beira de um pequeno despenhadeiro. O jovem e a rocha tinham mais em comum que poderiam supor. Quanto tempo teria ela despencado lá do alto do rochedo? Ela havia sido parte de algo muito maior e de repente foi precipitada a um meio estranho tal qual o jovem... mas este é tão somente uma ângulo, tudo neste mundo possui variadas perspectivas.
Sobre a emusgada pedra seus pensamentos começavam a perder o vigor, seus olhos voltavam a perceber o mundo a sua frente. Cada fibra do seu corpo começava a dizer para a mente consciente o quanto de esforço foi feito. Uma chuva fina agora começava a turvar a visão que se tinha da floresta.



--Preciso ir embora! Tudo esta bem - seu olhar parecia vago pelo cansaço - meu pai sempre diz que quando se pode rir de algo tudo esta bem...

A pequena fogueira crepitava, tiravam sarro uns dos outros no interior da caverna, o reflexo desta cena se projetava nos olhos profundos de Adam que se pôs a observa-los ainda por um momento em pleno silencio.

Meus pais devem estar preocupados, me procurando! Não farei falta alguma aqui... - O pensamento irrompeu sua mente.

Com um pouco de dificuldade ergue-se esticando o corpo dolorido, e instintivamente sai pela floresta... após muito caminhar em meio a rochas íngremes e escorregadias, plantas emaranhadas a leve chuva cessa e uma densa neblina começa surgir. Percebe a alguns metros pequenas luzinhas, que ficam um tanto maiores ao se aproximar...

Onde estou? Essa não é a minha casa!!!

Seus olhos cansados contemplavam o grande orfanato, serenamente iluminado por algumas poucas luminárias de óleo que já estavam prestes a se apagar...

Levou as mãos a cabeça, afastou do rosto o cabelo encharcado...

Estou no orfanato! Não ha ninguém me esperando, como eu pude esquecer de algo assim?!


Um misto de tristeza e constrangimento. Meneou sua cabeça, apalpou o corpo e saiu a procurar um meio de entrar no orfanato, sem sucesso algum. Tempos depois em uma conversa lamentaria muito não saber dos pequenos segredos de um lugar tão antigo como aquele.
Debaixo da ultima luminária que ainda resistia ele olhou a volta e percebeu a porta do celeiro entreaberta, não teve duvida... e entrou. Tateando sentiu um amontoado macio, era lã das ovelhas tosquiadas a pouco tempo.

Seja o que for vai garantir meu sono e me manter aquecido.

Antes de cair no sono pensou:

A ruiva de olhos bonitos, eu a ajudei hoje... quem era aquele... D...

Um grito estridente rompe a manhã junto com os primeiros raios de sol, a pobre freira ao entrar no celeiro se deparou com uma mão roxeada estendida para fora do monte de lã, abruptamente Adam salta dentre a lã e vê ao chão a jovem freira.
Assim começa aquela manhã do 'jovem problema'.






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